Monday, October 03, 2005

Instantes: Parte1

Sabes ainda me lembro daquilo que passamos juntos, e tu sabes como é. Os homens são assim. Só se lembro das coisas dias depois, semanas depois de já não as terem. E quando me casei senti isso. Que nada era igual a ti e que tu eras para mim, única. E por isso demorei tanto tempo para te dizer alguma coisa, é que eu tentei sempre esquecer-te e só Deus sabe como senti todas as noites e não eras tu que te deitavas ao meu lado. É que eu sou assim, inconstante. E tu sabes disso. Não precisamos já de voltar a andar, quero sentir que tu estás segura e que sabes o que estás a fazer, porque tu não mereces sofrer mais.

Olhei nos olhos dele, bem lá no fundo sorri...

O que foi?

E ele sorriu também. Levantei-me agarrei a minha mala e disse baixinho,

Tu nunca acreditaste em Deus portanto ele não sabe. E claro que não precisamos de voltar a andar já, podemos andar já amanhã. Não te quero de volta para amar, quero-te de volta para te usar.

"How can you just walk away from me? "

Fotografia: Raquel Cabral
Tenho olhos pequenos, por vezes ficam grandes, mas à mesma são pequenos. São verdes, que por vezes ficam castanhos ou azuis, depende dos dias, das lágrimas que choro, do tempo, da luz do dia. Falo em dia porque sempre fui muito alegre, e pronto, quando se é alegre e se está sempre a rir tem-se sorriso de boneca que lembra o Sol. Mas é só por isso.
Pronto eu confesso, eu hoje não estou alegre. E apetecia escrever isso à noite, mas está um sol lá fora quente demais, e infelizmente, vou ter que desperdiçar este momento tão lindo tirado de um filme romântico para dizer que eu hoje estou fria demais, oficialmente arrefecida, como se me tocassem e fosse dia chuvoso de Inverno, que em vez de chuva chove gelo, e que desse gelo nada derrete no meu coração quente.
Facto é que, ainda continuas muito frio, tão frio, cá dentro, bem cá dentro no meu coração, e arrefeces, arrefeces tanto o meu ser que me torno de plástico. Mas é um plástico maleável, que se magoa se se retorce demais, e por isso hoje, ou amanhã, ou mesmo daqui a uns dias, talvez, (talvez), me aqueça mais por dentro e me derreta no envolver das coisas. E quando isso acontecer, vou deitar fumo, tanto fumo que te vai cegar. Ficarás cego de ti, de mim e de nós e aí, tu poderás abrir as mãos e deixar-me cair, porque tornei-me insuportável ao cheiro, ao tocar, e nem tu nem ninguém, me agarrará no momento. Porque me tornei fumo insuportável e não, não deixarei ninguém me agarrar.